Eu...
Nasci de parto de parteira num casebre no pé da serra, em Patu, cidadezinha localizada na região serrana do Estado do Rio Grande do Norte, na boca do elefante, e que ganhou fama de terra de gente valente. É o que contam. Não fiquei pra saber.
Nasci no fim de uma manhã de sábado, no dia 9 de março do ano de 1974. A década da crise do petróleo, da recessão norte-americana, da calça boca-de-sino, da discoteca, do movimento punk, da chegada da TV em cores no Brasil e da repressão militar.
Nada disso, nem em forma de notícia, chegava àqueles confins escondidos entre serras e hectares de pastos. E com tanto afazer doméstico e com pouco dinheiro para vestir, educar e dar de comer a cinco filhos pequenos, dona Ivonete e seu Hilário é que não iam se importar. Hilário era um senhor austero, apesar do nome.
Eu fui o último e talvez por isso o mais débil dos cinco. Minha mãe não se cansava de contar da minha "deslatração" (intuo que seja desidratação), motivo que quase me levou, ainda inocente, a conhecer a Morte. "Esse aqui tomou o sobejo da Morte", costumava apontar dona Ivonete nas repetidas apresentações da família a algum forasteiro que ela, em poucos minutos de conversa, já tratava como se fosse de casa.
Eu sobrevivi, me criei e cresci. Os primeiros anos da infância se perderam em algum canto sob a poeira das ruas de areia e barro de Feira de Santana, na Bahia. Aos seis ou sete anos, não lembro bem, nos mudamos todos para Mossoró, voltando ao Rio Grande do Norte para junto da família do meu pai, depois que ele conheceu a Morte ao entrar com sua velha Brasília debaixo de um caminhão. Foram só dois anos naquela cidade que mais parece uma fornalha, até nos mudarmos para Natal.
À dona Ivonete, restou criar sozinha os cinco filhos, o que fez bem, enfrentando grandes dificuldades. Estudamos, crescemos, viramos gente. Tenho agora 32. Sou jornalista de canudo e de exercício. Pobre daqueles que vêem nisso motivo para vaidade. Minha grande ambição é seguir contando histórias, de mim e dos outros.
Nasci de parto de parteira num casebre no pé da serra, em Patu, cidadezinha localizada na região serrana do Estado do Rio Grande do Norte, na boca do elefante, e que ganhou fama de terra de gente valente. É o que contam. Não fiquei pra saber.
Nasci no fim de uma manhã de sábado, no dia 9 de março do ano de 1974. A década da crise do petróleo, da recessão norte-americana, da calça boca-de-sino, da discoteca, do movimento punk, da chegada da TV em cores no Brasil e da repressão militar.
Nada disso, nem em forma de notícia, chegava àqueles confins escondidos entre serras e hectares de pastos. E com tanto afazer doméstico e com pouco dinheiro para vestir, educar e dar de comer a cinco filhos pequenos, dona Ivonete e seu Hilário é que não iam se importar. Hilário era um senhor austero, apesar do nome.
Eu fui o último e talvez por isso o mais débil dos cinco. Minha mãe não se cansava de contar da minha "deslatração" (intuo que seja desidratação), motivo que quase me levou, ainda inocente, a conhecer a Morte. "Esse aqui tomou o sobejo da Morte", costumava apontar dona Ivonete nas repetidas apresentações da família a algum forasteiro que ela, em poucos minutos de conversa, já tratava como se fosse de casa.
Eu sobrevivi, me criei e cresci. Os primeiros anos da infância se perderam em algum canto sob a poeira das ruas de areia e barro de Feira de Santana, na Bahia. Aos seis ou sete anos, não lembro bem, nos mudamos todos para Mossoró, voltando ao Rio Grande do Norte para junto da família do meu pai, depois que ele conheceu a Morte ao entrar com sua velha Brasília debaixo de um caminhão. Foram só dois anos naquela cidade que mais parece uma fornalha, até nos mudarmos para Natal.
À dona Ivonete, restou criar sozinha os cinco filhos, o que fez bem, enfrentando grandes dificuldades. Estudamos, crescemos, viramos gente. Tenho agora 32. Sou jornalista de canudo e de exercício. Pobre daqueles que vêem nisso motivo para vaidade. Minha grande ambição é seguir contando histórias, de mim e dos outros.

6 Comentários:
Nunca pensei que sua história de vida fosse assim tão chocante, lutei muito para saber como você é como pessoa, agora tenho essa grande supresa e entendo agora o porque de tudo, amigo eu já lhe admirava bastante, agora vejo um maravilhoso exemplo de vida. um grande abraço!
Patrick Fernandes
"Pobre daqueles que vêem nisso motivo para vaidade."
Bem colocado. E muito pertinente.
Valha-me Deus!, como deve ter dito dona Ivonete muitas vezes naquele confins de mundo de Patu. Será que meu amigo é a versão urbana do herói Ojuara e nunca percebi isso? Deixa o Barretão saber... abração e blog du carái!
Olha a saga algo "Vidas Secas" (menos, né?) do nosso herói shoegazer, hehehehe... ;)
Continue atualizando esta bagaça, que material excelente pra isso tu tens.
Caro Itaércio, que historia triste de vida. E linda ao mesmo tempo. Linda pois vcs deram a volta por cima.
Parabéns e siga em frente.
Zeca - amigo da pelada do Aero
conte que vc deu uma bola no campus e se perdeu no natal shopping nos idos de 94 .. passou duas horas pra achar a saída. vc já disse aí no blog que é sobrinho queridinho da professora otemia porpino ?
vc ainda tem aqueles discos de morrisey, sued e outras bandas de veado ? isso vc nao conta nesse blog de merda
tenho dito
dionísio outeda
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